sábado, 17 de setembro de 2016

IMPRESSÃO DAS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

 

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No dia 17 de setembro a Família Franciscana celebra, em todo o mundo, a festa da impressão das Chagas, também chamada de Estigmas de São Francisco de Assis. A introdução litúrgica da Missa e Liturgia das Horas diz o seguinte:

“O Seráfico Pai Francisco, desde o início de sua conversão, dedicou-se de uma maneira toda especial à devoção e veneração do Cristo crucificado, devoção que até a morte ele inculcava a todos por palavras e exemplo. Quando, em 1224, Francisco se abismava em profunda contemplação no Monte Alverne, por um admirável e estupendo prodígio, o Senhor Jesus imprimiu-lhe no corpo as chagas de sua paixão. O Papa Bento XI concedeu à Ordem dos Frades Menores que todos os anos, neste dia, celebrasse, no grau de festa, a memória de tão memorável prodígio, comprovado pelos mais fidedignos testemunhos.” Da legenda Menor, de São Boaventura, bispo (De Stigmatibus sacris, 1-4; ed. Quaracchi 1941, p. 202-204). Pelos sagrados estigmas Francisco se tornou imagem do Crucificado.

domingo, 8 de maio de 2016


É preciso saber onde procurar o Senhor


Frei Gustavo Medella
A cena é corriqueira: o filho está com pressa e precisa daquela camisa nova para sua primeira entrevista de emprego. Abre o armário, percorre os cabides, revira as roupas e nada… Apela para mãe que, pacientemente se dirige ao guarda-roupa e, em pouco mais de 30 segundos, encontra a camisa, ali, bem à vista, tal qual fosse um bicho peçonhento teria dado o bote no distraído jovem. Por que a mãe foi tão bem-sucedida na busca que o jovem não conseguiu concluir? Ela soube onde e como procurar, na certeza de que a peça de roupa ali estava.
Saber onde e como procurar… Eis o desafio posto aos discípulos depois da Ascensão do Senhor.

sábado, 26 de março de 2016


PÁSCOA
Frei Jose Carlos, OFM

        É Páscoa... Cristo vive. Ele é o Emanuel, o Deus conosco... Ele vive em cada um de nós. Páscoa é passagem. É Deus passando em nossa vida. Somos nós passando em nós mesmos, na grande viagem interior. É nossa passagem na vida de nosso irmão, marcando sua vida, sua história.
        Páscoa é vida. É libertação de todo bloqueio, de todas as cadeias, de toda situação de menos vida. É vida nova, é um parto de luz, um novo nascimento. Páscoa é reconstrução. É buscar vencer o ódio, a injustiça, as estruturas de opressão. É viver a fraternidade.
        Páscoa é esperança. Esperança na certeza de que na humanidade brota uma grande força capaz de vencer toda espécie de injustiça para deixar transparecer já, no hoje, no aqui, no agora, o Cristo Ressuscitado num mundo em contínua Ressurreição, marcado pela transformação.

        A celebração da Ressurreição de Cristo não nos deve fazer pensar apenas num fato do passado ou que virá no futuro, quando todos Ressuscitarão. A Ressurreição de Cristo nos arranca das trevas para a Luz, do cativeiro para a Libertação, da morte para a Vida, do desânimo para a Esperança . A confiança na presença de Jesus Ressuscitado nos deve dar forças para romper todos os sepulcros e todas as grades com que o mundo nos quer manter prisioneiros. À todos uma Feliz e Santa Páscoa no Ressuscitado!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Quaresma
 Frei José Carlos, OFM
 

QUARESMA: sempre é único e especial esse momento da Liturgia. A Oração, Penitência, Jejum, Esmola, Palavra de Deus, Confissão Sacramental, Reflexões, fazem parte desse tempo, juntamente com uma sobriedade na liturgia.

         Todos nós necessitamos de um tempo de reflexão e mudança. Durante o ano tantas situações vão se sucedendo e colocando-nos muitas vezes fora do caminho do Senhor. Os 40 dias que tornam presentes os dias de Jesus no deserto, e também os anos do povo de Deus na caminhada do Êxodo, saindo das escravidões para a vida nova, passando pelo Mar Vermelho e celebrando a aliança com Deus, nos recordam que é tempo de renovar nossa vida batismal e nossa aliança com o Senhor.

         40 dias de reflexão: em um mundo dessacralizado, distante da prática religiosa, percebe-se a influência dos tempos litúrgicos. As semanas que antecedem as comemorações da Morte e Ressurreição do Salvador, denominadas “tempo quaresmal”, nos proporcionam ricos ensinamentos, farta e bela semeadura, capaz de, uma vez aproveitada, produzir abundantes frutos espirituais.
        

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Padroeira e Rainha da OFS

Frei Clarêncio Neotti, OFM

Imaculada

Estamos diante de um mistério. Ou seja: diante de um fato que nossa inteligência, por ser conhecidamente limitada, não consegue abranger nem explicar por inteiro. O mistério não contradiz a razão humana, mas a excede.
O privilégio da Imaculada Conceição não se refere ao fato de Maria de Nazaré ter sido virgem antes, durante e depois do parto de Jesus. Não se refere ao fato de ter ela concebido o filho sem o concurso de homem, mas por obra e graça do Espírito Santo. Não se refere ao fato de Maria não ter cometido nenhum dos pecados que nós costumamos fazer, confessar e nos esforçamos por evitar. Refere-se ao fato de Deus havê-la preservado da mancha com que todas as criaturas humanas nascem, mancha herdada do pecado cometido por Adão e Eva. A teologia chama esta mancha de “pecado original”. Original, não porque nascemos como fruto de um ato sexual. Mas original, porque se refere à origem de toda a humanidade, ou seja, aos nossos primeiros pais, que a Bíblia chama de Adão e Eva.
A Sagrada Escritura ensina-nos que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Não o fez por necessidade, mas num gratuito gesto de amor. Criado por amor, o ser humano estava destinado a uma plena e eterna comunhão com Deus. Comunhão tão íntima e divina, que o próprio Filho de Deus dela poderia participar sem nenhuma diminuição de sua divindade.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O Advento com S. Francisco

 
Ir. Maria Bernarda de Cristo Rei, Cl. Capuchinha
“Deus, disse São Francisco, é Trindade e Unidade, Pai e Filho e Espírito Santo, criador de todas as coisas e salvador de todos os que nele creem, esperam e o amam... sem início e sem fim, imutável, invisível, inenarrável, inefável, incompreensível, insondável...”.
Deus é mistério...! Este mistério é revelado a nós pelo Verbo que se fez carne: o Pai enviou-nos o Filho e o Espírito Santo. O Verbo, encarnado no seio da Virgem Mãe é Jesus, o Senhor.
No Ano litúrgico, a Igreja (nascida do lado aberto de Jesus e, por isso, sua esposa) apresenta a vida de Jesus nos seus mistérios. Jesus que nasce; Jesus que anuncia o Reino; Jesus que assume todos os males e a morte no seu sacrifício, revelação suprema de Deus – Amor; Jesus que ressuscita e que se manifestará na sua glória, dando glória ao Pai.
Deus, diz São Francisco, “é Salvador de todos os que nele creem, esperam e o amam...” É Salvador: Ele nos envia o seu Filho para que nós, criaturas humanas, possamos conhecê-lo e receber a força do Espírito Santo para agir segundo seu exemplo e sermos reconhecidos por Ele como filhos.
O Ano litúrgico é, portanto, a vida de Jesus oferecida à nossa reflexão e oração para que possamos assimilá-la, torná-la nossa até Cristo viver em nós.
O Ano litúrgico começa pelo Advento: “ad- venio”: é Deus que vem ao nosso encontro... O Advento é preparação ao Natal... Depois de ter evidenciado estas verdades, será que podemos viver o Advento pensando somente em preparar o presépio, as luzes, músicas e presentes, ou antes, empenharmo-nos no conhecimento maior deste mistério, na vivência das virtudes cristãs, numa vida mais coerente com a nossa Fé?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Advento, caminhada para o Natal do Senhor

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Por: Frei Alberto Beckhäuser, OFM

Advento significa vinda, chegada! Advento é tempo de preparação para a vinda do Senhor, bem como a própria vinda na celebração, pela mudança de vida, a prática da justiça e da caridade.

Natal significa nascimento, nascimento de Jesus Cristo. É vinda de Jesus Cristo, vinda celebrada e atualizada na celebração do seu Natal. O nascimento de Jesus Cristo é o centro das festividades do Natal.

As celebrações do ciclo de Natal referem-se à vinda de Deus para morar entre os seres humanos. No centro de tudo está o Menino Deus envolto em faixas, e não o papai Noel com seus presentes nem a Ceia de Natal. Este seria o natal do comércio alimentado pelo consumo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A natureza do "Amor Franciscano"

Por Fr. Demelli, OFM


É exato dizer, como tantos já o fizeram, que o amor é o característico de São Francisco? Nada mais Verdadeiro: São Francisco possui uma capacidade de amar superior ao comum não só dos homens, mas até dos santos ... O que distingue um santo de outro santo, um homem de outro homem (pois nada de fato revela melhor o valor de um homem) é o seu modo de amar.

O modo de amar de São Francisco é confiança e é renúncia, que se expandem em ação e em pobreza...Todavia desde que, para um homem de seu temperamento, o amor é fonte de ação, ele pergunta imediatamente a si mesmo: Que devo fazer? - e como o Evangelho responde: "Quem me ama observa meus mandamentos", ele não sente necessidade de consultar um diretor espiritual, não projeta entrar num monastério, mas contenta-se, para resolver suas perplexidades, em abrir o Evangelho e tomar o conselho que ali achar como se tivesse sido a ele dirigido e segui-lo ao pé da letra...

Amando deste modo concreto, a devoção de São Francisco se dirige especialmente à humanidade do Filho de Deus, sobretudo onde esta mais sofreu e se humilhou; em Belém, no Calvário, na Eucaristia....


Fonte:Vocacões Franciscana

acessado em 25/10/14

sábado, 25 de outubro de 2014

Vocação: Um Chamado de Amor e Doação

Por: Tiago Signorini

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Existem diversas situações na vida em que temos a impressão de caminhar sem rumo. As ambições humanas, a sociedade cheia de injustiças, a violência, a corrupção, a perversidade do mundo moderno que faz do homem e da mulher um ser consumista e até ‘descartável’ nos desorientam. Mas o amor de Deus, que nos ama incondicionalmente, não pode passar despercebido. Ele nos chama à vida. Eis aí nossa primeira vocação e a razão para não perdermos a esperança.

Vocação é justamente o sinal de que Deus nos ama, independente do caminho prático que escolhemos seguir. Mas, corremos o risco de achar que vocação é apenas assunto de padre e freira! Engano nosso. Todos somos vocacionados.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A Alegria Franciscana

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A alegria franciscana abrange todas as fontes de satisfação humana e cristã. Entre as fontes humanas é muito importante a contemplação da beleza que arrebatava São Francisco mesmo durante as torturas de doença, e que ainda lhe permitiam rever as estrelas e as flores, a terra e o fogo, a água e o vento, quando já os seus olhos inflamados não permitiam mais discernir os objetos; aquele gosto pela arte e pela música, em particular que despertava nele o desejo de ouvir tocar a cítara, durante suas noites de dolorosa insônia, e lhe inspirava a necessidade de cantar até na agonia.

Em vez de se concentrar sobre suas próprias dores, o que é supremo egoísmo, o franciscano deixa-se imergir na harmonia do universo; essa harmonia proporciona-lhe o esquecimento de si mesmo e um sutil prazer, mesclado de melancolia, a qual se dissipa como uma neblina, quando da admiração pelas criaturas ele consegue se elevar até à gratidão pelo Criador (…).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A Utopia de Francisco se fez Clara

Por Frei Vitório Mazzuco Filho

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…O que sabemos da mãe do nosso movimento? Ela não é a sombra de Francisco, mas brilha com ele na primavera da sociedade e da igreja medieval até os tempos atuais. Cidadãos de Assis e cidadãos do mundo, os dois são portadores de uma personalidade forte e original. Há 800 anos o Movimento de Assis sacode o mundo com valores profundamente humanos e divinos, nele o Evangelho faz estrada. E desde então temos esta Mulher Nova que nos legou um modo de amar e um modo de abraçar a revolução que vem da altíssima pobreza.

O título acima é de uma obra coletiva italiana publicada pela Cittadella Editrice e remete à escolha comum do Evangelho. Clara não é fotocópia de Francisco mas é o lado feminino do projeto sonhado por ele. Ela viveu o discipulado como uma mestra autônoma e responsável do mesmo projeto de vida evangélica. Por séculos Clara ficou desconhecida por que culturalmente achamos que experiências, escritos, mística, espiritualidade, carisma fundacional, capacidade de conduzir grupo religioso é atribuição apenas de homem; aliás, descobrir o potencial feminino é o que falta ainda no processo de conversão da própria eclesialidade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

SÃO LUÍS IX - REI DE FRANÇA–PATRONO DA OFS

 

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Nasceu no castelo de Poissy, a 30 quilómetros de Paris, a 25 de Abril de 1214 ou 1215, dia de procissões solenes do dia de São Marcos. A sua infância terá sido influenciada pela figura do seu pai que, unindo o zelo pela religião à bravura marcial que lhe valeu o cognome de o Leão, subjugou os cátaros do sul da França.

Particularmente zelosos da sua educação, os pais de Luís IX deram-lhe bons preceptores: Mateus II de Montmorency, Guilherme des Barres, conde de Rochefort, e Clemente de Metz, marechal da França, inspiraram-lhe os sentimentos de um rei cristianíssimo e filho da Igreja.

Com a morte do seu pai em 8 de Novembro de 1226, Luís IX subiu ao trono aos 12 anos de idade. Foi sagrado na catedral de Reims por Jacques de Bazoches, bispo de Soissons, em 30 de Novembro do mesmo ano.

sábado, 2 de agosto de 2014

Perdão de Assis

perdão de AssisCompreender o verdadeiro significado da Porciúncula também é importante para adentrar na essência desta data, de acordo com Frei Fidêncio. Para os franciscanos, ela é muito mais que a igreja pobre e simples que os monges beneditinos concederam a Francisco e seus companheiros, que cresciam em número de forma significativa.

“Foi ali que São Francisco ouviu o Santo Evangelho do envio missionário dos 12 apóstolos e, após pedir explicações ao padre ao final da Missa, exclamou: ‘É isso que desejo e quero!’. É o local da grande descoberta da vocação, é também onde Santa Clara se consagrou e os frades se congregavam para tomar decisões, rezar, se encontrar. Ali nasceu a forma franciscana de vocação à vida evangélica. Quando falamos em Porciúncula, reunimos todos os elementos e valores da nossa espiritualidade; representa a essência do carisma”, explica.

Para entender melhor o significado da data, é preciso remontar ao ano de 1216.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Hoje, memória da canonização de São Francisco

Memória de São Francisco de Assis

 

No dia 16 de julho de 1228, dois anos depois de sua morte, São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Na ocasião, ele publicou a Bula de Canonização “Mira circa nos” “aos veneráveis irmãos arcebispos, bispos etc…”

1). É maravilhoso como Deus se digna ter piedade de nós e inestimável é o amor de sua caridade, pela qual entregou-nos o filho à morte para remir o escravo!
Sem renunciar aos dons de sua misericórdia e conservando com proteção contínua a vinha que foi plantada por sua destra, continua a mandar operários para ela mesmo na décima primeira hora para que a cultivem bem arrancando com a enxada e o arado com o qual Samgar abateu seiscentos Filisteus (Jz 6,31) os espinhos e as ervas más, para que, podados os ramos supérfluos e os brotos espúrios que não levam às raízes, e extirpados os espinheiros, ela possa amadurecer frutos suaves e saborosos.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Páscoa e Francisco de Assis

Falar de Francisco e da Santa Páscoa vivido por ele é tão diferente dos conceitos normais que temos hoje sobre as celebrações pascais!

1. Páscoa: caminhar neste mundo como Peregrinos e Forasteiros!

(Francisco no domingo da Páscoa)

De primeira vista, temos o episódio de Francisco no dia da Páscoa, narrado por São Boaventura: “Certa vez, no dia sagrado da Páscoa,estando num eremitério distante e sem poder mendigar, Francisco pediu esmola aos próprios irmãos, como peregrino e pobre, em memória d’Aquele que, naquele dia, aparecera aos discípulos na estrada de Emaús sob a figura do peregrino. E tendo-a recebido com humildade, instruiu-os nas divinas letras, exortando-os a que no deserto deste mundo se julgassem peregrinos e estrangeiros, isto é, como verdadeiros israelitas, e a que celebrassem continuamente em pobreza de espírito a Páscoa do Senhor, ou seja, o trânsito desta vida à vida eterna, a passagem deste mundo para o Pai” ( LM, VII, 9).

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos, com hosanas, saudações e louvores, prefigura a vitória de
Cristo sobre a  morte e o pecado. É o portal de entrada para a Paixão
de Cristo: a Semana Santa  inicia-se com ele. Que lições ele nos traz?
Que frutos e graças dele podemos tirar?

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O Domingo de Ramos é a comemoração litúrgica que recorda a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém onde Ele iria celebrar a Páscoa judaica com seus discípulos.

Ele é o portal de entrada da Semana Santa. É no Domingo de Ramos que se inicia a Semana da Paixão. É o dia em que a Igreja lembra história e a cronologia desses acontecimentos para dele tirarmos uma lição.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A serviço do Evangelho e da fraternidade: uma proposta franciscana

 

 

 

“Vamos começar a servir a Deus, meus irmãos, porque até agora fizemos pouco ou nada.” (1Cel 103,3; LM 14,1)

 

 

Por Frei Luiz Pinheiro Sampaio, OFMCap

A caminhada franciscana, enquanto serviço, deve ser pautada pelo Evangelho nas dimensões concretas da vida. Deve haver uma estreita relação entre as realidades da Palavra e do cotidiano. Em todo o seu peregrinar, São Francisco e Santa Clara de Assis harmonizaram muito bem essas dimensões. Para eles era impossível separar o Evangelho da vida e vice-versa. Portanto, quando falamos de serviço evangélico e de fraternidade evangélica precisamos ter diante de nós, franciscanos e franciscanas, a compreensão de que estamos servindo a Jesus Cristo (Evangelho do Pai) e à Fraternidade, que abrange a comunidade de irmãos e irmãs (koinonia), a igreja-povo de Deus (ecclesia), a sociedade humana e a ecologia (a harmonia entre as pessoas e todas as criaturas).
Para os iniciadores do Movimento Franciscano, o compromisso assumido significava não descansar nunca nem se acomodar frente aos desafios e apelos concretos da existência humana. Entretanto, encontramos no seio da Fraternidade franciscana, de ontem e de hoje, quem acha mais fácil servir ao Evangelho como algo maravilhoso e bonito, aquilo que agrada e é suave, sem amargor e dificuldades. Para São Francisco, o amargo se lhe transformara em doçura (Test. 1), pois aprendera a encarar as mazelas da vida com muita coragem. É neste sentido que o Santo se posicionava tenazmente contrário ao irmão que não assumia a própria vocação de frade menor. A quem agia desse modo, ele dava o apelido de “irmão mosca”, porque, como tal, não contribuía com nada e só queria se beneficiar das coisas da Fraternidade.

sábado, 25 de janeiro de 2014

PERTO OU LONGE, O OUTRO É SEMPRE IRMÃO

Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM

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Bem-aventurado o servo   que tanto ama e respeita o seu irmão quando este estiver longe dele como quando estiver com ele; e não disser por trás dele aquilo que, com caridade, não pode dizer diante dele ( Admoestação  XV)

  • O tema do respeito e da reverência para com o irmão é fundamental para todos os cristãos e, de modo particular, para nós franciscanos.  Constituímos fraternidades em diferentes níveis.  Em todos os lugares e cantos somos conhecidos  como irmãos,  membros que tratam seus pares com a delicadeza reverente do irmão.  Ao longo do tempo da vida trabalhamos a fraternidade, melhoramos nosso jeito de ser irmão. Esmeramo-nos em não ofender o amor fraterno.
  • Tudo começa com essa consciência dos cristãos: temos todos um e mesmo Pai.  Ele sonhou e “inventou” cada um de nós.  Uns e outros saímos do seio de Deus, do coração de Deus, como os irmãos de sangue nascem do seio da mesma mãe. Assim, diante do Pai estamos ligados para sempre.  Não podemos e não queremos  nos separar uns dos outros.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Imaculada Conceição de Maria

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O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro de nós e que não renunciamos nunca.
A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma, foi definida em 1854, pelo papa Pio IX, através da bula “Ineffabilis Deus”, mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no Oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.
A festa não existia, oficialmente, no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia chamado bem-aventurado João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de são Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria como início do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Coroa de Advento


Desde a sua origem a Coroa de Advento possui um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do Santo Natal, suscitar a oração em comum, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. O lugar mais natural para o seu uso é família.
Além da coroa como tal com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral laços vermelhos substituem as velas indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas em formas e lugares diferentes, em geral junto ao ambão. Cada domingo do Advento se acende uma vela. Hoje está presente em escolas, hotéis, casas de comércio, nas ruas e nas praças. Tornou-se mesmo enfeite natalino. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Advento, caminhada para o Natal do Senhor

 



Por: Frei Alberto Beckhäuser, OFM
Advento significa vinda, chegada! Advento é tempo de preparação para a vinda do Senhor, bem como a própria vinda na celebração, pela mudança de vida, a prática da justiça e da caridade.
Natal significa nascimento, nascimento de Jesus Cristo. É vinda de Jesus Cristo, vinda celebrada e atualizada na celebração do seu Natal. O nascimento de Jesus Cristo é o centro das festividades do Natal.
As celebrações do ciclo de Natal referem-se à vinda de Deus para morar entre os seres humanos. No centro de tudo está o Menino Deus envolto em faixas, e não o papai Noel com seus presentes nem a Ceia de Natal. Este seria o natal do comércio alimentado pelo consumo.
Natal é a festa da vida que nasce, a festa do maior presente que Deus concedeu à humanidade, seu Filho, Jesus Cristo. Na Vida que nasce a humanidade celebra o dom da vida de todos. A alegria pelo dom da vida se expressa bem através dos presentes e da Ceia de Natal. Contudo, a melhor maneira de celebrar o Natal do Senhor consiste em participar da Ceia do Senhor, a Eucaristia.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

29 Novembro dia de Todos os Santos da Ordem Seráfica.

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Santos canonizados da Primeira Ordem, 110; Santas canonizadas da Segunda Ordem, 9; Santos e Santas canonizados da Terceira Ordem Regular e secular, 53; religiosos da primeira Ordem beatificados, 161; religiosas da Segunda Ordem beatificadas, 34; da Terceira Ordem regular e secular, 95 beatificados. Total de membros das Ordens Franciscanas canonizados e beatificados, no fim do primeiro milênio, 482.
No aniversário da aprovação da regra de São Francisco de Assis pelo papa Honório III (29 de novembro de 12223), A Ordem Franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”. Era esse precisamente o projeto de vida e o carisma do Pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Liturgia das Horas

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Consagração do tempo

Cristo estabeleceu que "é preciso orar sempre e nunca desistir” (Lc 18,1). Por isso a Igreja, atendendo fielmente a essa exortação, jamais cessa de elevar suas preces, e nos exorta com estas palavras: "Por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor" (Hb 13,15). Esse preceito se cumpre, não apenas pela celebração da Eucaristia, mas também por outras formas, de modo particular a Liturgia das Horas.

Segundo antiga tradição cristã, ela tem a característica, entre as demais ações litúrgicas, de consagrar todo o curso do dia e da noite.(cf. SC 83-84)

Como a santificação do dia e de toda a atividade humana é finalidade da Liturgia das Horas, o seu curso foi de tal modo reformado que cada Hora voltou tanto quanto possível ao seu verdadeiro momento, levando-se ao mesmo tempo em conta as condições da vida moderna. (SC 88)

Por isso, "tanto para realmente santificar o dia, quanto para recitar com fruto espiritual rezar as mesmas Horas, é bom que na recitação se observe o tempo que mais se aproxime do momento verdadeiro de cada Hora canônica”.(SC 94)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

UMA CRÔNICA FRANCISCANA: AH! FRANCISCO DE ASSIS, COMO TENHO SAUDADE DE TI...

 

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Frei Fernando Maria,OFMConv

Ah! Francisco de Assis, como tenho saudade de ti. Sem teorias, te servias dos Evangelhos e das Sagradas Escrituras como Palavras de Deus a serem obedecidas e praticadas fielmente, com todas as virtudes do Espírito Santo presentes em nossa vida desde que fomos batizados. Quanta singeleza em teus ensinamentos e exemplos a serem seguidos:

        “A Regra e a vida dos frades menores é esta: observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade”. (RB).

        “E abstenham-se os irmãos e seus ministros de se incomodar com as suas coisas temporais, para que eles, como o Senhor lhes inspirar, disponham delas com liberdade”. (RB).

        “Os irmãos, aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem com fidelidade de maneira que afugentem o ócio, inimigo da alma, e não percam o espírito de oração e piedade, ao qual devem servir todas as coisas temporais”. (RB).

        “Os irmãos não tenham propriedade sobre coisa alguma, nem sobre casa, nem lugar, nem outra coisa qualquer; mas, como peregrinos e viandantes (cf. lPd 2,11) que neste mundo servem ao Senhor em pobreza e humildade, peçam esmolas com confiança; disso não se devem envergonhar, porque o Senhor se fez pobre por nós, neste mundo (cf. 2Cor 8,9)”. (RB).

terça-feira, 22 de outubro de 2013

22 de Outubro - Beato Contardo Ferrini

 

 

Alguém, que passeava pelas ruas de Pavia avistou aquele homem de vastas sobrancelhas, barbudo e de sobrecasaca, e indagou a seu acompanhante: "O que há de especial nesse homem?" E o outro respondeu: "Ele é um santo!"
Nada, em seu natural, o distinguia das demais criaturas, porem seu trabalho profissional (o conhecimento) estava ligado indissoluvelmente ao seu ideal (a fé)

 

Nasceu CONTARDO FERRINI em Milão, no norte da Itália, a 4 de abril de 1859. Tendo entrado na Ordem Franciscana Secular ainda adolescente, conseguiu aliar à ciência humana a sabedoria dos santos. Educado numa família profundamente cristã, passou sua mocidade entre a escola, família e Igreja. Quis aprender tudo muito bem e pretendeu percorrer as fontes do conhecimento. Desse desejo decorre o seu aprendizado de inúmeros idiomas, dos quais se destacam aqueles que impulsionariam os seus estudos de Direito: o latim, o grego, o alemão. Conhecia também o espanhol, o francês e o inglês. Para a busca das fontes da verdade religiosa, consubstanciadas na Bíblia, aprendeu o hebraico, o siriaco e tinha algumas noções de copto e de sânscrito. Seu pai, um professor e engenheiro com boa formação já lhe explicara que ninguém deve confiar nas informações de segunda mão, ainda quando parta de pessoas eruditas, resumindo aquela lição que não custa termos sempre presente: vá direto às fontes da verdade.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

15/10 - Santa Teresa de Ávila

Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos
os  tempos. Ela nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença
e da sua ação.

(Bento XVI)

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Tudo que se tem a dizer sobre Teresa Sanchez Cepeda D'Ávila y Ahumada é extraordinário. Ela viveu e ensinou a oração pessoal como sendo a busca de uma intimidade maior com Deus. Escreveu como um poeta, cantando as glórias do Senhor do Céu e da Terra, depois de ter convivido misticamente com Ele. Reformou e aperfeiçoou o estilo de vida religiosa. Foi doutora em matéria de religião e de religiosidade.

Ultrapassando os limites de si mesma, ela foi mais além: foi Santa. E uma grande Santa. Por isso mesmo é que ela é chamada de Teresa, a Grande.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

04 de Outubro Dia de São Francisco de Assis



No céu Francisco fulgura, cheio de graça e de luz, trazendo em seu corpo as chagas, sinais de Cristo e da Cruz.
Seguindo o Cristo na terra, pobre de Cristo se faz, na cruz com Cristo pregado, torna-se arauto da paz.
Pelo martírio ansiando, tomou a cruz do Senhor: do que beijou no leproso contempla agora o esplendor.
Despindo as vestes na praça, seu pai na terra esqueceu, reza melhor o Pai- nosso, junta tesouros no céu.
Tendo de Cristo a pureza, mais do que o sol reluzia, e, como o sol à irmã lua, Clara em seu rastro atraía.
Ao Pai e ao Espírito glória e ao que nasceu em Belém. Deus trino a todos conceda os dons da cruz: Paz e Bem.

Fonte: Liturgia das Horas/ Laudes

sábado, 21 de setembro de 2013

NUMA ALMA FRANCISCANA, A PRIMAVERA NÃO PODE PASSAR DESPERCEBIDA

 

primavera

Por Frei Vitório Mazzuco Fº

Dizem as Fontes a respeito de São Francisco de Assis: “Que alegria ele sentia diante das flores, vendo sua beleza e sentindo seu  perfume! Passava imediatamente a pensar na beleza daquela flor que brotou da raiz de Jessé no tempo esplendoroso da primavera e com seu perfume ressuscitou milhares de mortos. Quando encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e as convidava a louvar o Senhor como se fossem racionais. Da mesma maneira,  convidava com muita simplicidade os trigais e as vinhas, as pedras, os bosques e tudo que há de bonito nos campos, as nascentes e tudo o que há de verde nos jardins, a terra e o fogo, o ar e o vento, para que tivessem muito amor e fossem generosamente prestativos. Afinal, chamava todas as criaturas de irmãs, e de uma maneira especial, por ninguém  experimentada, descobria os segredos do coração das criaturas porque na verdade parecia já estar gozando a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (1 Cel 29, 80.81).

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Os estigmas de Francisco de Assis e o segredo da suprema felicidade

Por Dom Laurence Freeman, OSB*

Celebra-se hoje a festa do inaudito prodígio e dom concedido por Deus a São Francisco no Monte Alverne. Os Estigmas são o selo divino àquele empenho de imitação de Cristo que ele buscava com todas suas forças desde o dia de sua conversão. Deus o apresenta ao mundo como exemplo de vida cristã, como convite a seguir o Evangelho. Francisco tinha Cristo no coração, nos membros e nos lábios, e Cristo o imprimiu o último selo também em seus membros.

Carducho

Era madrugada do dia 14 de setembro de 1224, festa da Exaltação da Cruz. Naquela noite, seu fiel amigo e companheiro, Frei Leão, desobedeceu às instruções de Francisco e penetrou na solidão de sua reclusão para ver como ele estava. À luz do luar, Frei Leão viu Francisco de joelhos em oração, repetindo com todo o fervor as perguntas que se encontram no centro de toda oração cristã: “Quem és tu, meu doce Deus… Quem sou eu, teu servo inútil?” “E somente estas palavras repetiu e nada mais disse” – conta-nos São Boaventura, seu biógrafo. Frei Leão viu o fogo que descia sobre a cabeça de Francisco, envolvendo-o por muito tempo.