Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos foi posto no presépio! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura. No meio do espelho considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa (4ª. Carta a Inês de Praga).
Cada geração é salva pelo santo que a contradiz (Chesterton).
Dou graças ao Senhor por todas as vezes que, exatamente junto a um mosteiro, desde frade jovem pude fazer a experiência de “cura” recolocando em ordem harmoniosa os valores evangélicos de minha vocação e missão, graças à ajuda das irmãs clarissas. Muitas vezes pedi hospitalidade em seus mosteiros para dar novo tom espiritual à minha vida. Obrigado a todas vós, irmãs clarissas, por esta função “terapêutica” tão importante para a caminhada vocacional de uma pessoa consagrada (Fr. Giacomo Bini, OFM, Ex- Ministro Geral).
1. Estamos nos preparando para celebrar em 2012 os oitocentos anos da existência da Ordem das Clarissas. Clara entrou na história ao nascer em 1193 e continua presente no até nossos dias depois de sua morte ocorrida em 1253. Celebrar o centenário das Irmãs Pobres de São Damião é ocasião de revisão da vida das irmãs hoje e tentativa de ver como o carisma de Clara e de suas primeiras companheiras pode enriquecer a vida dos frades, dos franciscanos seculares e do mundo. Constituímos uma família, uma bem-aventurada família, uma família franciscano-clariana. Laços espirituais nos unem e, na reciprocidade de nossos contatos, tornamo-nos espiritualmente mais robustos. O que Clara tem a dizer aos nossos tempos? Como as Irmãs Pobres poderão ser um grupo significativo nesses nossos tempos? Como os franciscanos seculares poderão beber da fonte que brotou ( e continua jorrando) desse abençoado espaço que se chama São Damião, por onde circulavam Clara de Assis e suas irmãs? O que tem Clara a dizer aos nossos tempos?